Raimundo
Raimundo , o Mundico
domingo, 4 de março de 2012
Encontro diário...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O sabor das caixas
Foi em um livro que Manoel de Barros me contou que não se fabrica amor em frascos. Se eu pudesse encontrá-lo hoje gostaria de perguntar se é possível fabricar amor em caixas. Talvez ele se calaria ou então me responderia que a fábrica do amor se fechou na gaiola do passarinho - algo do tipo - palavras que só mais tarde eu compreenderia, porque cresci demais eperdi o olhar inocente que existia no menino que eu era e carrego em mim.
Hoje me vi menino no meio de diversas caixas de papelão. Tinham caixas de vários tamanhos, cores, texturas e porque não dizer sabores.
Experimentei uma caixa com sabor de infância, ganhei armaduras, capacete, escudo e fui herói sem batalha. Me encolhi para caber dentro de uma'caixa-carro' que me levaria para a luta, mas percebi que cresci demais.
Experimentei então uma caixa com sabor de Minas, tinham diversos oratórios sem santos, abertos para diversos corações perdidos. Me ajoelhei mas não rezei, perdi a fé, acho que cresci demais.
Experimentei por último uma caixa com sabor de lembrança, tinha meu pai vivo, medo de bondinho, sorriso no rosto e um Cristo Redentor do tamanho da minha saudade. A minha saudade cresceu demais.
E de tanto experimentar sabores de caixas, aos poucos fui criando-me caixa, descobrindo dentro de mim sentimentos esquecidos, sorrisos revividos, um menino pequeno e grande demais.
Daniel Viana
14/02/2012
Primeiro experimento com as caixas
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Carl Jung
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana."
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Treinamento com a máscara
Decodificando e desconstruindo o corpo do personagem. A Procura do estar no espaço: empurrado ou levado. O corpo e o vazio.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
SE EU ME CHAMASSE RAIMUNDO
Era um homem velho que foi morar no corpo de um jovem. Tinha os ombros estreitos e a voz chorosa, voz de obediência e resposta, voz de quem nunca grita, voz de um homem perdido, sem voz.
Caminhava lento – parecia cansado – às vezes sorria mas ninguém percebia. A respiração oscilava como a de um animal, trocava os ritmos e dançava dentro da sua cabeça oca. Raimundo dançava, mas seu corpo não se movia.
- O que você espera? Vai Raimundo, todo mundo veio hoje pra te ver. O Zé ta lá fora ansioso, o Helder curioso e a menina Joana também te espera. O que você espera? – pensava.
Temia. Escondido atrás do biombo negro pretendia ir mas permanecia imóvel, arrumava seu cabelo, laço vermelho e camisa para dentro. O paletó está curto! – pensava. Queria estar apresentável, ser apresentado.
- Senhoras e senhores, com vocês... ‘Mundico, o palhaço bicho’... olhos de vaca, corpo de pato, perna de ema e dente de nada. Senhoras e senhores, parece bruxaria mas é bicho... um palhaço bicho!
Não ouviu os gritos da platéia, não ouviu o rufar dos tambores, fechou os olhos e ouviu sua respiração de bicho.
- O que você espera? – pensava.
Mundico pensava demais.
Daniel Viana
03/02/2012
Primeiro experimento com a máscara do Mundico
COMEÇO
Tudo começa como um zumbido, e você surdo.
Incomodativo, agudo, afiado.
Entre todos os barulhos lá de fora, os sussurros de cá dentro, e aquele zunzunzum.
Um boato persistente, lá de trás das boas idéias que logo serão esquecidas.
Mas, algo faz dele grito, berro, e um dia como bebê sujo exige sua atenção.
E a gente inocente dá.
Um erro maravilhoso!
Ouvi-lo ensina, instiga, perturba a natural ordem das coisas complicadas.
E daquele som perturbado, vem nos chegando o conforto do entendimento.
Mera ilusão.
Chega ficando alto e mais claramente altivo, até tornar-se parte, uma grande parte de nós.
O desejo do “possível?”, do “por que não?”, do “e agora?”.
E como gostamos disso…
A certeza perene da transformação como algo real, do valor do sonho para a vida, que tudo que é hoje real primeiro fez parte do universo do imaterial.
E mesmo sem resposta alguma nos metemos na convicção que não há erro, não há acerto, tudo é poucamente efêmero.
Não saber nos dá muito medo, o conhecido apavora o novo, atrás da árvore sempre a espreita o velho coelho branco.
E o que essa voz nos diz?
O que essa voz nos faz seguir?
Não sabemos.
Saberemos.
Seja então bem-vindo.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Processo de CRIAÇÃO
É denitivo. Não tem volta. Agora as ideias sairão do mundo das ideias e ganharão o mundo dos sentidos… um mundo imperfeito… onde nós daremos o nosso sentido e vocês, espectadores, darão o seu SENTIDO para aquilo que verão em cena! So assim fecharemos o ciclo. Afinal, o ato teatral só se completa com a PLATEIA.
Começamos o processo de montagem do espetáculo Mundico – Sonata Muda. Nossos primeiro encontros foram para ler a proposta de roteiro, conversar e organizar nossa aventura juntos. Na leitura da PROPOSTA DE ROTEIRO começamos por organizar ideias, a questionar coisas e pensar outras possibilidades de cenas e de como materializar.
O processo de criação foi divido em duas frentes de trabalho: TREINAMENTO e CONFECÇÃO do material cênico. Todo o ELENCO está envolvido nas duas frentes de trabalho.
O TREINAMENTO
Espaço para socialização de conhecimentos. Espaço de troca, onde cada integrante ministrará oficinas dentro da sua experiência artística, tendo como objetivo as necessidades do espetáculo. Foi dividido em dois momentos: FÍSICO e MANIPULAÇÃO.
O treinamento físico, conduzido por JOANA BARBOSA, tem como objetivo a expressividade do CORPO no trabalho com a máscara. Ainda, dentro do trabalho corporal, DANIEL VIANA conduzirá uma oficina de linguagem da PERFORMANCE.
O treinamento de manipulação, orientado por JOSÉ ANTÔNIO DO CARMMO e HELDER PARRA, tem como objetivo trabalhar conceitos básicos – olhar, eixo, transferência de energia manipulador/objeto, etc - na animação das FORMAS ANIMADAS.
Paralelo ao treinamento físico estamos realizando a confecção do material cênico, máscaras e adereços.
Enquanto isso, nosso compositor RONALDO CADEU trabalha na composição das músicas do espetáculo que será executa pele violoncelista MARIANA BRANDÃO
Estamos em processo, ou seja, estamos abertos à possibilidades… Caso queiram participar do processo, comentem o post… deixem suas impressões, questões e sugestões…
Em breve postaremos mais fotos e coisas.. coisas…
domingo, 30 de outubro de 2011
Equipe Artística
Bem- Vindo!!!
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade






